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Histórico

As pesquisas científicas na área de astrofísica são relativamente recentes no Brasil. Até o início da década de 1980 muito pouco havia sido feito neste campo no País, com exceção de alguns trabalhos isolados de cunho teórico.

Entretanto, os primeiros esforços direcionados a acelerar o desenvolvimento da astrofísica brasileira datam do final dos anos 1930, quando pesquisadores do Observatório Nacional - ON - contataram a empresa alemã Zeiss no intuito de adquirir um telescópio apropriado para estudos astrofísicos. As conversações foram interrompidas com a eclosão da II Guerra Mundial na Europa e a iniciativa foi adiada.

A efetiva implantação da astrofísica no Brasil começou a ser concebida em 1961, quando o astrônomo Muniz Barreto do ON visitou os Observatório de Lick, Monte Wilson e Monte Palomar, todos nos EUA, durante a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional - IAU, e quis reproduzir um observatório como aqueles no Brasil. Posteriormente, numa visita a França, Muniz contatou um grupo de pesquisadores que, em conjunto com os brasileiros, faria o levantamento de um sítio apropriado a um observatório astrofísico: era o início do projeto do Observatório Astrofísico Brasileiro - OAB.

Após a visita ao Brasil da equipe francesa, que forneceu os primeiros subsídios, realizou-se a escolha do sítio entre 1965 e 1972 para a instalação de um telescópio de médio porte. Neste trabalho, que foi realizado em conjunto com o ON, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas - IAG, o Instituto de Tecnológico de Aeronáutica - ITA e a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, foram examinados 15 locais na região centro-leste do País, entre 20 e 30 graus de latitude sul. Como resultado desse levantamento, foi escolhido o Pico dos Dias (1864 m), localizado entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no sul de Minas Gerais. Em 5 de setembro de 1972, ocorreu a celebração do convênio entre o ON e a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, que garantiu recursos para a compra do telescópio refletor com espelho principal de 1,60 m de diâmtero, da firma Perkin-Elmer - ainda hoje o maior telescópio em território brasileiro - e de um espectrógrafo Coudé.

Passados quase 20 anos do início do projeto, em 22 de abril de 1980, o telescópio coleta sua primeira luz, ou seja, foram feitas suas primeiras observações científicas. Quase um ano depois, em 1 de abril de 1981, o então Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq - entrega à comunidade astronômica nacional o Observatório Astrofísico Brasileiro que seria gerenciado como uma Divisão do Departamento de Astronomia do ON. Em 1982, o OAB ganha mais um telescópio que é instalado e colocado em operação. É um telescópio Zeiss com espelho principal de 60 cm de diâmetro que estava até então guardado por falta de um local apropriado para instalação.

Com o advento da Nova República e a conscientização da importância da área de ciência e tecnologia na agenda nacional, decidiu-se caracterizar melhor a vocação do Projeto OAB. Assim, em 13 de março de 1985, o OAB é transformado no primeiro laboratório nacional do País, o Laboratório Nacional de Astrofísica - LNA, ainda uma subunidade do ON, com a finalidade de atender as instituições que pesquisavam em astrofísica. Sua missão ficou focalizada na realização de observações astronômicas e no desenvolvimento de instrumentação para uso pela comunidade científica nacional. Após operar provisoriamente como Unidade Associada ao ON por quatro anos, foi efetivado como unidade de pesquisa do CNPq em 9 de novembro de 1989, o que deu ao LNA a autonomia necessária para seu pleno funcionamento. Sua missão ligeiramente reformulada consistia em administrar o renomeado Observatório do Pico dos Dias - OPD e cuidar da infra-estrutura da astronomia observacional do País.

O ano de 1992 é uma referência na trajetória do LNA. Foi neste ano que, em terreno doado pela prefeitura de Itajubá - cidade próxima ao OPD, foi finalizada a construção da sede própria do LNA para abrigar sua administração, seus pesquisadores e parte da equipe de apoio ao astrônomo visitante do Observatório. Além disso, um convênio com a Universidade de São Paulo - USP, completou o parque de telescópios do OPD com a instalação de um equipamento Boller&Chivens com espelho principal de 60 cm de diâmetro, antes em operação na cidade de Valinhos, SP.

A década de 1990 é pródiga em acontecimentos para a astronomia nacional. Houve um crescimento robusto da comunidade astronômica brasileira, que incentivou e viabilizou a entrada do Brasil em projetos internacionais como os telescópios Gemini e o SOAR (Southern Astrophysical Research Telescope).

A adesão brasileira ao consórcio Gemini, celebrada em 31 de março de 1993 pelo então Ministro da Ciência e Tecnologia, Israel Vargas, era o primeiro passo nessa direção. O Observatório Gemini, uma parceria entre sete países, conta com dois telescópios de 8,1 m de abertura, o primeiro (Gemini Norte) localizado no Havaí, Estados Unidos, e o segundo (Gemini Sul) no Chile. O conjunto de telescópios Gemini está entre os maiores e mais modernos e competitivos observatórios do mundo. O LNA foi encarregado pelo MCT de gerenciar a participação brasileira no consórcio Gemini, em abril de 1993, quando designou o LNA como a Secretaria Nacional do Gemini.

Durante a primeira participação brasileira no Conselho Diretor do Gemini, em novembro de 1993, iniciou-se as conversações sobre o projeto SOAR para construção e operação de um instrumento moderno com abertura de 4,1m, localizado no Chile. Quase um ano depois, em outubro de 1994, é realizado no LNA o Workshop SOAR, que inicia formalmente as negociações entre EUA e Brasil. Finalmente, no segundo semestre de 1996, o Brasil começa a integrar o projeto SOAR, tendo como parceiros a University of North Carolina, a Michigan State University e o National Optical Astronomy Observatories (NOAO). Desta vez o CNPq atuou como parceiro formal e novamente o LNA foi encarregado do gerenciamento.

Com isso, o LNA oferece à comunidade científica várias opções de observatórios, começando com os telescópios de 60cm do OPD e terminando com os telescópios Gemini. Estes instrumentos são adequados para todos os tipos de pesquisa astronômica observacional na faixa óptica e em infravermelho.

Em 17 de agosto de 2000, todas as unidades de pesquisa que estavam vinculadas ao CNPq passaram a fazer parte da estrutura regimental do MCT, através do decreto nº 3567, assinado pelo então Ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg. Este momento coincidiu com o início de uma nova fase para o LNA, agora voltada à intensificação das atividades de desenvolvimento de suas capacidades tecnológicas. Assim, o LNA tem ampliado sua participação ativa no desenvolvimento tecnológico dos grandes observatórios internacionais, através da concepção e construção de instrumentos periféricos modernos e competitivos internacionalmente. Recentemente, o LNA tem investido no aumento do seu quadro de pessoal atuando na área tecnológica e na ampliação da infra-estrutura. Destaca-se a criação de um novo laboratório óptico especializado no manuseio de fibras ópticas para uso em instrumentação astronômica, como parte do novo prédio de laboratórios e oficinas do LNA. Outra novidade, ainda em fase de estruturação, é o laboratório para metrologia óptica. Assim, o LNA estará suficientemente apto para participar da construção de instrumentos para os telescópios internacionais, e para competir, em termos de igualdade, com outros centros de desenvolvimento instrumental na área astronômica no mundo inteiro.