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Astrônomos descobrem estrela que engoliu planetas

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Astrônomo brasileiro em conjunto com uma equipe de astrônomos da Argentina utilizam observações do Telescópio Gemini no Havaí para encontrar evidências de uma estrela que engoliu planetas parecidos à Terra.

 Até o momento já foram descobertas mais de 2700 estrelas onde detectou-se a presença de um ou mais planetas em sua órbita; são os chamados exoplanetas. Há catálogos online, como o catálogo do Observatório de Paris (http://exoplanet.eu/), onde podemos verificar estas estrelas e as características de seus exoplanetas.

 Apesar da grande quantidade de estrelas com planetas, existem ainda pouquíssimas evidências de que alguma destas estrelas tenha “engolido” ou “sugado” planetas que estivessem em sua órbita. Caso um evento como este tenha ocorrido, se esperaria que o material do planeta que caiu na estrela fosse completamente destruído e misturado na camada mais externa da atmosfera desta estrela.  Caso o planeta engolido seja do tipo rochoso, ou seja, análogo à Terra ou Marte, então três efeitos químicos deveriam ser observados na atmosfera da estrela. O primeiro efeito seria um aumento global na quantidade de elementos químicos mais pesados (metais), pois as estrelas, compostas basicamente de hidrogênio e hélio, teriam sido contaminadas com o material planetário mais pesado. Em segundo, esperaria-se um aumento na quantidade de determinados elementos químicos, chamados refratários, na mesma proporção encontrada nos planetas rochosos. Finalmente, esperaria-se um aumento na quantidade do elemento lítio, pois as fusões nucleares que ocorrem no interior das estrelas “queimam” o lítio rapidamente, não havendo outra explicação para a existência de tal elemento a menos que tenha ocorrido queda de material planetário.  

 Há muito tempo pesquisadores vêm buscando estas evidências para comprovar o fenômeno de queda de material planetário nas estrelas. No entanto, até o momento, apenas 2 ou 3 candidatos foram descobertos e em nenhum destes casos encontraram-se todas as três características ao mesmo tempo.

 A equipe de pesquisadores liderada pelo Dr. Carlos Saffe e seus colegas pesquisadores do CONICET da Argentina (Emiliano Jofré, Matias Flores, Romina Petrucci e Marcelo Jaque Arancibia), juntamente com o pesquisador Dr. Eder Martioli do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA/MCTIC), utilizaram observações da estrela HAT-P-4 com o telescópio Gemini de 8 metros localizado no Havaí, em que encontraram, pela primeira vez em uma única estrela, as três características químicas que evidenciam a contaminação da atmosfera da estrela pela suposta queda de um ou mais planetas rochosos.  A estrela HAT-P-4 pertence a um sistema duplo, ou seja, um sistema composto por duas estrelas que orbitam uma ao redor da outra.  As duas estrelas são parecidas com o nosso Sol e são praticamente gêmeas entre si. Este fato permitiu que os astrônomos realizassem uma análise química de alta precisão utilizando uma técnica diferencial. O trabalho foi recentemente aceito para publicação na revista Astronomy and Astrophysics Letters.

 As estrelas do sistema HAT-P-4 aparentam pouco brilhantes no céu, fato que demanda a utilização de telescópios de grande porte, como é o caso do telescópio Gemini. Por este motivo, os autores destacam a importância do apoio do governo brasileiro na manutenção de acordos e colaborações internacionais que permitam acesso aos grandes telescópios, como é o caso do acordo com o observatório Gemini.

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